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Migrações e refúgio: refugiados têm dificuldades para validar diplomas e conseguir emprego

No último dia 6, quarta-feira, aconteceu o segundo dia de eventos da série “Quartas em movimento”, como parte da programação da curadoria “Migrações e Refúgio no Ensino Superior: dilemas e perspectivas”, vinculada ao projeto Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, da Decania do CFCH.

A mesa “Mesa: Migrações e Refúgio no Ensino Superior: dilemas e perspectivas” abordou a dificuldade dos refugiados conseguirem os documentos necessários para a inserção no Ensino Superior. “Há problemas, já que muitos deles têm ensino médio completo e superior iniciado, mas não conseguem a validação dos diplomas de seus países de origem. Além disso, há grande dificuldade na hora da realização do exame para a inserção em universidades públicas”, disse a professora Ana Karina, da Uerj.

A professora falou sobre a dificuldade de o Brasil ser um país “monolinguístico”. “Isso prejudica a inserção de refugiados e sua troca com os brasileiros”, disse Ana Karina. Ela  criticou também o currículo universitário que, segundo ela, “não está aberto para um novo projeto de universidade, ainda pautado em um modelo eurocentrado que não respeita as diferenças”. 

Charly Kongo, refugiado congolês, ativista da ONG Pares-Cáritas e professor de francês, falou sobre a sua experiência no Brasil e dos lugares que os refugiados ocupam na cidade. “Muitas vezes, os refugiados não conseguem a validação de seus diplomas para ingressar no mercado de trabalho formal”, afirmou o ativista.

Ângela Magalhães, professora da UFF, abordou as dificuldades da não inserção dos refugiados e a falta de políticas educacionais destinadas a este público. Ela falou sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, criada em 2008 no Brasil em parceria com a ONU, que tem como objetivo “integrar os refugiados no Ensino Superior, dando acesso, permanência e revalidação e reconhecimento de diplomas”.

*Texto e foto: Matheus de Paula, bolsista do projeto projeto Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, da Decania do CFCH.

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