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Migrações e refúgio: especialistas analisam políticas de Estado para migrantes e refugiados

Na tarde do último dia 20, foi realizada a mesa “Migrações e Refúgio em perspectiva histórica II”,  mais uma atividade da série “Quartas em movimento”, parte integrante da curadoria “Migrações e refúgio: presença, história e desafios no Rio de janeiro”, organizado pelo Espaço Memória Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, vinculado à Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH).

O evento contou com as professoras e historiadoras Lená Medeiros e Erica Sarmiento da Silva, ambas da Uerj; e Sátiro Nunes, pesquisador do Arquivo Nacional. Os palestrantes falaram sobre a centralidade que os movimentos migratórios adquiriram nos dias atuais e da falta de políticas públicas efetivas no Brasil para o acolhimento de refugiados. Para Lená Medeiros, “os países que mais produzem imigrantes são aqueles que foram desestruturados pelos países que se recusam a receber refugiados”. A historiadora lembrou dois casos recentes de xenofobia: um navio que transportava emigrantes africanos, impedido de atracar na costa italiana; e as crianças, filhas de migrantes mexicanos, colocadas dentro de jaulas pelo governo dos Estados Unidos. “Que geopolítica de deslocamento é essa?”, indagou Lená, para quem há duas questões envolvidas: o direito à exclusividade de uso de um determinado território; e os direitos humanos. “Penso que existe uma clivagem ideológica perceptível quando o governo conservador italiano se recusa a receber os imigrantes, enquanto os progressistas espanhóis os acolhem. O mesmo se passa nos Estados Unidos”, analisou a professora. “A discriminação ao outro é mais perceptível a cada dia. Ao reforçar as identidades nacionais, se reforça também o nacionalismo e a xenofobia”, completou. 

Érica Sarmento analisou os dois lados da questão em debate. “Quando falamos em migrações, os motivos em jogo são os econômicos. Já, no que se refere ao exílio, estamos falando em razões políticas. Ambos estão em um momento de extremo acirramento na contemporaneidade”, apontou. No entanto, para Érica, a migração também pode ter um cunho político para alguns povos. “Há um ditado que diz que ‘o galego não protesta, migra’. Isto é, a migração é, sobretudo um recurso político nos dias atuais”, analisou.

Sátiro Nunes, pesquisador do Arquivo Nacional, falou sobre o Serviço de Informação do Arquivo Nacional (Sian), existente naquele órgão, que guarda o registro do trabalho dos imigrantes na cidade do Rio de Janeiro. “O trabalho dos migrantes foi extremamente relevante na construção da capital fluminense, principalmente na primeira metade do século XX. O elevado da Perimetral é um exemplo dentre outros tantos possíveis”, mencionou o pesquisador. 

Curadoria “Migrações e refúgio”

O Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, vinculado à Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), apresenta a sua sexta curadoria: “Migrações e refúgio: presença, história e desafios no Rio de Janeiro”, em cartaz até o dia 30 de agosto. Além da exposição de fotografias sobre o cotidiano de migrantes e refugiados, a programação do “Quartas em movimento” contará com a realização de mesas de debates, rodas de conversa, exibição de filmes, lançamento de livros e atividades culturais. 

O objetivo é propor a reflexão sobre a migração no Rio de Janeiro, em uma perspectiva histórica e na contemporaneidade. Os visitantes serão levados a conhecer e a debater o dia-a-dia, relações de trabalho, lazer, conflitos, políticas públicas e demais aspectos da vida das pessoas que vieram para esta cidade. Os debates contarão com a presença de professores, pesquisadores, estudantes, integrantes de coletivos, ativistas e demais profissionais com atuação sobre este tema. 

Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza

O Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza está localizado no segundo andar do prédio da Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus universitário da Praia Vermelha da UFRJ. É um projeto institucional de integração acadêmica da Decania do CFCH e credenciado no Sistema Integrado de Museus, Arquivos e Patrimônio Cultural (SIMAP). Trata-se do primeiro espaço cultural da UFRJ inserido em Decania com a participação de todas as unidades deste Centro. Ele tem como objetivo promover exposições no campo das Ciências Humanas e Sociais, através da articulação com movimentos da sociedade civil, numa perspectiva transdisciplinar, sobre temas contemporâneos que articulam ensino, pesquisa e extensão. 

As atividades promovidas através deste projeto, construídas com a participação das unidades e órgãos suplementares do CFCH, instituições parceiras, incluem seminários, rodas de conversa, debates com projeção de filmes, feira de livros, entre outras. O Espaço tem como público-alvo preferencial estudantes da escola de educação básica das redes públicas, associações de moradores, estudantes de diferentes instituições de ensino superior, movimentos sociais, sindicatos, profissionais e gestores de políticas públicas, estando aberto à população em geral. Em suma, é um espaço formativo que potencializa as trocas entre os sujeitos e os saberes, promovendo maior integração entre a UFRJ e a sociedade.

Boletim Vitrine da Memória

A edição de maio do Boletim Vitrine da Memória, produzido pela Biblioteca do CFCH, trará obras, fotografias e demais imagens sobre o tema – “Migração e Memória”

Quartas em movimento

Durante as quartas-feiras em que a curadoria estiver em cartaz, serão realizados debates, rodas de conversa, exibição de filmes, lançamento de livros e outras atividades culturais sobre o tema. 

 

*Bolsistas do Projeto Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, sob supervisão de Pedro Barreto/SeCom/CFCH

Foto: Decania do CFCH

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