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Escritora Maria Valéria Rezende participa de evento na Faculdade de Letras

Três vezes vencedora do Prêmio Jabuti, Maria Valéria Rezende participa da roda de conversa “Por outros cantos: narrativa, empoderamento e liberdade”, promovida pela Ouvidoria Geral da UFRJ, na próxima quinta-feira (28/01), às 10h, no Auditório G-2 da Faculdade de Letras, Cidade Universitária. 

 

No encontro, a autora falará, entre outros temas, sobre seu novo romance “Outros cantos”, lançado este ano. O livro conta a história de uma educadora que, numa viagem de ônibus pelo nordeste, recorda seu trabalho durante a ditadura militar na fictícia Olho d´Água, inspirada em Caraibeiras, cidade pernambucana onde Maria Valéria viveu nos anos 1970. 

A roda de conversa contará também com as presenças da ouvidora geral da UFRJ, professora Cristina Ayoube Riche, e Valéria Romano, médica de família e comunidade.

Sobre a autora

Nascida na cidade de Santos, há 74 anos, Maria Valéria Rezende gradua-se em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy (França) e em Pedagogia, pela PUC-SP, e conclui o mestrado em Sociologia na UFPB. Estudiosa de Paulo Freire, inicia, durante os anos 1960, trabalho com educação popular e formação de professores na periferia de São Paulo, atividade que daria continuidade anos mais tarde no sertão nordestino. “Era uma luta muito grande, porque havia um conformismo induzido, alimentado por séculos com uma linguagem religiosa de quem dizia que essa era a ‘vontade de Deus’. Muitas vezes, no sertão, tive que convencer os pais a deixar os filhos irem à escola, porque diziam que estudar era desculpa para não trabalhar. Hoje, muitas daquelas crianças são doutores ou professores universitários”, recorda.

Em 1964, integra a Juventude Estudantil Católica, quando ajuda diversos militantes e perseguidos políticos a escaparem da repressão do regime militar. No ano seguinte, então com 24 anos, ingressa na Congregação de Nossa Senhora – Cônegas de Santo Agostinho. “Era um tempo em que o mundo fazia a seguinte pergunta para as meninas: ‘quer casar ou ser freira?’ Depois de tanta aventura eu ia virar dona de casa? Não!”, explica. A atuação política a faz deixar o país, em 1972, levando consigo os originais do livro “Cartas da prisão”, do amigo Frei Betto, publicado pela primeira vez na Itália. De volta ao Brasil, vive no sertão pernambucano, Recife e Olinda e, na década seguinte, radica-se em João Pessoa. 

A sobrinha neta do poeta Vicente de Carvalho (1866-1924), imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), estreia na literatura ficcional apenas em 2001, com o livro de contos “Vasto Mundo”. Em 2005 escreve “O voo da guará vermelha”, que tem como mote o drama do analfabetismo entre jovens e adultos. “Uma personagem se apaixona por aprender a ler e a outra descobre um sentido para sua vida, ensinando”, descreve a autora. Em 2009, ganha o primeiro Prêmio Jabuti pela obra “No risco do caracol”, na categoria Literatura Infantil. Quatro anos mais tarde, conquista o segundo por “Ouro dentro da cabeça”, na categoria Juvenil. 

Em 2015, recebe o terceiro por “Quarenta dias”, na categoria Romance. Para escrever o livro, a autora muda-se para Porto Alegre, onde é ambientada a história, e chega a dormir na rua, tal qual sua personagem. A obra narra a trajetória de uma professora aposentada que deixa João Pessoa para viver na capital gaúcha e começa a procura pelo filho de uma conhecida, que desapareceu em algum lugar perto dali. “Todos os meus livros falam dos excluídos, porque só posso falar do que conheço. É um tema que quase desapareceu na literatura brasileira. Se eu escrevo sobre uma educadora no sertão nordestino, sou tachada de regionalista. Mas quem escreve literatura de alcova e bar ambientada em um bairro de classe média de São Paulo não é chamado de bairrista. É considerado autor de ‘literatura urbana universal’”, comenta a autora.

 

Serviço

Evento: Roda de conversa “Por outros cantos: narrativa, empoderamento e liberdade”

Data: Quinta-feira (28/01)

Horário: 10h

Local: Auditório G-2, Faculdade de Letras da UFRJ (Av. Horácio de Macedo, 2151, Cidade Universitária, Rio de Janeiro)

 

Fontes: Estado de S. Paulo, 2/05/2014; Jornal O Globo, 19/11/2015 e 05/01/2016; Agência Riff; Livraria da Travessa; e Wikipedia.

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