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O Dia da Consciência Negra na UFRJ

Nesta sexta-feira, dia 20, celebra-se o Dia da Consciência Negra. A lei 4.007 de 11 de novembro de 2002 tornou a data feriado em todo o estado do Rio de Janeiro. O documento, assinado pela então governadora Benedita da Silva, rememora o dia da morte do líder negro Zumbi dos Palmares. Na UFRJ, diversos serão os eventos em celebração à data, como palestras, debates e rodas de conversa.

Para prestar homenagem à comunidade negra universitária, o Setor de Comunicação do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Secom/CFCH), ouviu professores, técnico-administrativos e estudantes, que falaram sobre a importância de celebrar a data.

Confira abaixo:

Ana Luiza Fernandes, graduanda do Instituto de História (IH) da UFRJ

O 20 de novembro é um marco político, social, epistemológico e pedagógico, principalmente pela construção e luta dos movimentos negros para a efetivação dessa data. Este é um momento de reflexão, resgate cultural, ancestral e intelectual negro. Além disso, é um período de denúncia e crítica à violência estatal, desigualdade e intolerância religiosa. Outro aspecto é o debate sobre a territorialidade negra: pensar na luta pela posse de terra quilombola, pelas desapropriações urbanas e invisibilizações do corpo negro no Brasil. O 20 de novembro é resistência e celebrações das lutas e vidas da população negra.

Cristiane Lopes, assistente social do quadro técnico-administrativo da Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ 

O Dia da Consciência Negra é um dia estratégico para continuarmos a refletir sobre a importância do negro na formação econômica e identitária do Brasil. Assim como a necessidade de manter a luta contra o racismo presente na nossa sociedade. É importante resgatar e consolidar a cultura africana na formação identitária do país. Rememora-se nesse dia a morte de um dos maiores defensores e líderes do movimento negro, Zumbi dos Palmares, dentre tantas outras personalidades, como Dandara, Anastacia, Luiza Mahin, que nos inspiram também na luta contra o machismo. Neste sentido, em tempos de retrocessos, reafirmar a importância do negro e de sua luta, torna-se urgente e necessário. A construção histórica do negro expressa-se na luta pela vida, por direitos e por uma sociedade igualitária. O preconceito ainda é forte na nossa sociedade e uma das formas de combatê-lo é construir uma consciência classista e que tenha por horizonte a conformação de uma sociedade fora dos marcos da opressão. 

Fernanda Barros, professora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Suely Souza de Almeida (Nepp-DH) da UFRJ

O Dia da Consciência Negra simboliza o retrato da população brasileira, em sua negritude e legado que se faz muito além da cultura, bem como seus aspectos meramente contemplativos. A data lança luz quanto aos avanços e desafios que a comunidade afro-brasileira tem enfrentado contra o racismo. Principalmente na seara dos direitos humanos, em sua premissa básica: o direito à vida, em meio aos efeitos nefastos da pandemia. Para além e acima disso, a discrepância no que tange ao acesso de serviços básicos como saúde, educação, habitação, trabalho e renda. Os dados recentes suscitados pelo IBGE e IPEA (2020) exibem um retrato fidedigno das desproporções cumulativas e intergeracionais que acometem, especificamente, sociedades étnico-raciais escravizadas. Haja vista as estruturas sociais e políticas estarem submersas ao racismo. Posto isto, o Dia da Consciência Negra importa ao conjunto da sociedade, não só pelo orgulho de nossa ancestralidade africana, mas também na promoção de medidas antirracistas e voltadas à igualdade racial.

Lilian Luiz Barbosa, mestranda do Programa de Pós-graduação em Serviço Social (PPGSS), especialista em Movimento Social pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos (PPDH), graduada em Serviço Social pela Escola de Serviço Social (ESS) e integrante do Coletivo de Negras e Negros do Serviço Social da UFRJ Dona Ivone Lara.

Por que é importante falar sobre o Dia da Consciência Negra? Vivemos uma crise estrutural do capitalismo, uma crise sanitária em escala mundial, que atinge em maior parte a população não branca e a classe trabalhadora. Vivemos também em um estado miliciano que extermina, a cada 23 minutos, um jovem negro. Esse mesmo Estado naturaliza a cultura do estupro, em que várias meninas negras são violentadas a cada dia. Falar no Dia da Consciência Negra é falar de Zumbi dos Palmares e da República de Palmares, dizimada pela classe dominante colonial. Cabe salientar que a luta de classes se dá desde a chegada dos primeiros navios negreiros e dos colonizadores neste país. Falar sobre consciência negra é também falar da construção de um processo societário, que cabe não apenas ao povo oprimido, mas também a todos aqueles que defendem uma nova forma de sociedade sem exploração, sem machismo, sem dominação e hierarquização. Pelos que foram, pelos que estão, pelos que virão!

Muniz Sodré, professor emérito da UFRJ e titular aposentado da ECO/UFRJ

A celebração do Dia da Consciência Negra é, antes de tudo, um avanço institucional. Não se trata apenas de comemorar um herói do passado. Mas, sobretudo, de assinalar a abertura nos fronts da política, da educação e da cultura, para uma participação digna do negro na sociedade brasileira. Essa conscientização, que foi tão solicitada no plano educacional por Paulo Freire, tem que ser refeita, reescrita e atualizada pelo negro do presente. Portanto, vamos comemorar com muita alegria esse dia.

 

 

 Vantuil Pereira, diretor do Nepp-DH/UFRJ e vice-decano do CFCH

A comemoração do Dia da Consciência Negra nos remete à necessidade da permanente rememoração do que significou Zumbi dos Palmares e da luta por ele empreendida contra todas as formas de opressão vividas pelos negros em nosso país e no continente americano. Contribui para a afirmação da identidade de mulheres e homens negra(o)s, para o estabelecimento da consciência de que o racismo, as desigualdades raciais, de gênero e contra as pessoas LGBTQI+ é uma tarefa de nós mesmos. Só vamos mudar este quadro se tivermos clareza de que o nosso papel é protagonista nesta luta. Por isso, é preciso dizer: Viva Zumbi dos Palmares!!!!

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Assista ao vídeo com os depoimentos

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