CFCH - Centro de Filosofia e Ciências Humanas

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Fazer 100 anos é ter 100 anos de desafios

Especial CFCH - UFRJ 100 anos¹

Por Adriana Almeida Campos, Débora Tiago Alvarez, Regina Aparecida Nunes Garcia e Rosa Mônica Ferreira R. Portela*

A Universidade Federal do Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro de 2020, completa seu centenário – período marcado por inúmeros desafios e também conquistas. Somos uma universidade pública, o que torna essa jornada ainda mais custosa.

Em 100 anos, a UFRJ passou por transformações em seus espaços: do autoritarismo à democracia; das lutas por meio das greves aos avanços obtidos para o ensino, pesquisa e extensão; e, desse modo, cada aluno, professor e técnico- administrativo vem sendo protagonista nessa história.  

Nossa história é assim, fruto de profissionais e estudantes engajados com a excelência acadêmica, e parte dela vem sendo escrita a oito mãos por um grupo de bibliotecárias que ingressaram na Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) em 1994. Cada uma dessas pessoas com seus sonhos e aspirações, mas todas com um objetivo em comum: contribuir para tornar a UFRJ a melhor universidade do país.  

No entanto, nesses 26 anos na Biblioteca do CFCH, a equipe mudou: quase todos que estavam aqui em 1994, quando do nosso ingresso, se aposentaram, e outros bibliotecários, assistentes e auxiliares foram renovando o quadro de pessoal.  Porém, a garra e o brilho nos olhos sempre fizeram parte da equipe ao longo dos anos. Nossa biblioteca é especial! Passamos por momentos alegres e por outros difíceis, trocamos experiências e, na soma de tudo, o que fica é a celebração das amizades construídas e dos trabalhos realizados em equipe. E assim vamos construindo dia a dia a história da nossa instituição.

Cabe lembrar que universidades públicas, tais quais suas bibliotecas universitárias, têm como missão servir à sociedade, e é com esse pensamento que a Biblioteca do CFCH, por meio de seus serviços e produtos, mantém o compromisso com a democratização do acesso à informação de forma equitativa, respeitando a ética e os valores humanos.

 Nossa biblioteca foi criada em 1971, mas só passou a existir fisicamente a partir de 1975, com a saída do Instituto de Microbiologia do prédio onde funciona até hoje a Decania do CFCH.  Os registros contam que antes de a Microbiologia se instalar nesse prédio, ele funcionou como refeitório das mulheres do antigo Hospital dos Alienados.

Ao longo dos anos, as bibliotecas setoriais da Faculdade de Educação, do Instituto de Psicologia, da Escola de Serviço Social e da Escola de Comunicação foram se incorporando e montando o acervo da Biblioteca do CFCH. Temos também uma parte do acervo oriundo da antiga Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi), que foi extinta em cumprimento à Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Vale destacar as doações, verdadeiras preciosidades que fazem parte das nossas Coleções Especiais: os acervos dos professores Carlos Nelson Coutinho, Maria Inácia D’Avila, Nobuco Kameyama, Suely de Souza Almeida, e os acervos de importantes instituições –  Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep); Coordenação Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos (Ciec), que  foi criada em 1986 pela professora Heloísa Buarque de Hollanda; e Biblioteca Radiofônica Tude de Souza, além da coleção pertencente à Sociedade dos Amigos  Ouvintes da Rádio MEC. Eles enriquecem o prédio do Espaço Anísio Teixeira e remontam fases da nossa instituição.     

A soma de todas essas coleções nos levou a ocupar três edificações: o prédio da Decania do CFCH, que reunia livros, teses e dissertações; o prédio anexo do CFCH, onde ficava a Coleção de Periódicos; e o Espaço Anísio Teixeira (ou Biblioteca Metálica), reunindo Coleções Especiais, o acervo Inep e Obras Raras. Algumas pessoas brincam dizendo que somos latifundiários do campus da Praia Vermelha. 

Cada um desses lugares foi pensado e disposto para ser um espaço social onde o usuário vai encontrar apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão, e também um espaço de aquisição do conhecimento e disseminação da informação. 

Até o final da década de 1990, as pesquisas e levantamentos bibliográficos eram realizados no catálogo que ficava no Setor de Circulação, um móvel com diversas gavetas que armazenavam as fichas em papel. As fichas eram organizadas em ordem alfabética por autor, título e assunto, e mostravam o acervo da biblioteca em questão. Então, a Universidade, por meio do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI), comprou o software Aleph para gerenciamento dos acervos. As bibliotecas da UFRJ entraram no mundo on-line, todas conectadas a partir da Base Minerva. Os serviços foram sendo aprimorados ano após ano, e hoje não saberíamos mais viver sem essa conexão. As pesquisas, empréstimos e renovações passaram a ser realizadas em qualquer lugar e hora. O que dizer dos livros eletrônicos disponíveis na base? Em tempos de pandemia. eles estão cumprindo seu papel de informar e auxiliar cada aluno, professor e técnico-administrativo. Sem dúvida, o impacto das novas tecnologias repercutiu diretamente nos serviços prestados pelas bibliotecas e centros de informação. A década de 2000 foi marcante: disponibilizamos o acervo on-line e nossa equipe foi se capacitando frente à tecnologia, a comunicação na rotina da biblioteca foi se otimizando e serviços ganharam uma nova dinâmica.

Enfim chegamos à década de 2010. Com os serviços bem delineados, passamos a pensar nos produtos. A equipe assiste à pluralidade de usuários que frequentam a biblioteca. Algumas perguntas foram surgindo: Como inserir a biblioteca cada vez mais na vida acadêmica? Como melhorar o processo de interação com os usuários? Logo, já que a tecnologia permitiu acessar a informação de qualquer lugar, a biblioteca precisava também estar nesses espaços. Nosso relacionamento com as mídias sociais começou de forma modesta: primeiro o Twitter, em agosto de 2010, afinal, estávamos dentro da Escola de Comunicação (também construímos um blog no final daquele ano). Nossa página no Facebook surge em 2017; o site, em 2018; e o Instagram, em 2019.  Nossas mídias sociais estão cada dia são mais acessadas – as visualizações, engajamentos, acessos e seguidores fazem parte das nossas estatísticas e orientam algumas tomadas de decisão na produção de conteúdo. Inovamos com o Boletim Vitrine da Memória, um espaço virtual da biblioteca cuja proposta consiste na montagem de boletins temáticos a serem disponibilizados no site da Biblioteca do CFCH, com conteúdo totalmente digital e produzido a partir de reproduções de imagens e textos da Coleção Inep, feitos com base em recortes no acervo. Seu primeiro número foi lançado em julho de 2012, no ensejo do evento RIO+20, com o tema “O Rio que vimos”. Foi também objeto de trabalhos e premiado no XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD). Em 2017, o boletim passa a integrar a curadoria do Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, projeto institucional de integração acadêmica, localizado no 2º andar do prédio da Decania do CFCH. 

Outro produto, lançado na pandemia, foi o Podcast Minuto da Biblioteca. Ele funciona como um programa de rádio e divulga informações rápidas sobre os serviços oferecidos, coleções, dicas de pesquisa e curiosidades.

Assim, observamos que a biblioteca vem desempenhando um importante papel no desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social de nossa instituição. Somos um espaço de difusão do conhecimento e estamos conectados às transformações ao longo dos anos. 

 Essas transformações geraram expectativas e receios, mas valeram a pena! Hoje fazemos parte dessa história e podemos contá-la com orgulho. Para muitos, uma simples história de biblioteca universitária; para nós, a concretização de metas delineadas ao longo de anos de trabalho, em um espaço onde guardamos verdadeiros tesouros. Assim, contar um pouco sobre nossa biblioteca é contar uma parte, mesmo que pequena, da história da UFRJ.  

*Adriana Almeida Campos, Débora Tiago Alvarez, Regina Aparecida Nunes Garcia e Rosa Mônica Ferreira R. Portela são bibliotecárias da Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFRJ há 26 anos.

¹ Este artigo é parte do Especial UFRJ 100 anos, realizado pelo Setor de Comunicação da Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Secom/CFCH) da UFRJ. Servidores docentes e técnico-administrativos, discentes e trabalhadores terceirizados refletem sobre esta Universidade no ano em que ela completa um século de existência. Os textos apresentam as visões, experiências e saberes de quem contribui para que a UFRJ mantenha a sua excelência, produza conhecimento plural, diverso e democrático, apesar de todos os desafios impostos. 

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